Pedreiro desmaiou ao tentar salvar amigo que morreu em caixa-d'água de obra no litoral de SP: 'Apaguei'
Caixa-d'água estava lacrada e precisou ser quebrada para os trabalhadores acessarem. — Foto: Reprodução
Um dos pedreiros que tentaram salvar Bruno Reis dos Santos, morto no primeiro dia de trabalho após entrar em uma caixa-d'água subterrânea em uma obra, relembrou os últimos momentos de vida do colega. O caso ocorreu em Santos, no litoral de São Paulo, e a Polícia Civil aguarda os resultados de laudos para identificar um produto químico que a vítima pode ter inalado no local.
O pedreiro de 22 anos, que preferiu não se identificar, relatou que era amigo de Bruno e que ambos haviam recebido ordens de limpar a caixa-d'água. À TV Tribuna, afiliada da Globo, o trabalhador contou que o colega permaneceu de pé menos de um minuto após entrar na estrutura.
"Pensei que ele estava brincando. Chamei ele, entrei lá e vi que ele tava mole, e não tava acordando", relatou.
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O pedreiro contou que pediu socorro e que outro trabalhador tentou entrar na caixa-d'água para ajudar, mas não conseguiu. Segundo o relato, o jovem entrou sozinho para ajudar o amigo, mas desmaiou pouco depois.
“Virei [o Bruno], vi que a boca dele estava sangrando, mas depois disso apaguei. Não senti nada, só apaguei”, relembrou.
Em nota, a De.sign Construções e Incorporações SPE Ltda., responsável pela obra, informou que apura as circunstâncias do caso (veja o posicionamento completo no fim da reportagem).
Bruno Reis dos Santos (à dir.) morreu após entrar em uma caixa d'água (à dir.) em uma obra em Santos, SP. — Foto: Reprodução
Falta de orientação
Ainda de acordo com o relato, o homem foi levado por Bruno até o local e recebido pelo mestre de obras, que disse que ele seria contratado por uma diária e pediu que começasse o serviço imediatamente. Segundo o trabalhador, não foram fornecidas máscaras ou equipamentos de proteção respiratória.
O pedreiro relatou que ele e Bruno foram encarregados de limpar uma laje e as caixas-d'água subterrâneas. Segundo o depoimento, o mestre de obras os levou até uma das caixas e deixou o local em seguida.
A entrada da caixa estava lacrada com uma tábua de madeira, que precisou ser quebrada. Após a abertura, Bruno desceu para o interior da estrutura e desmaiou. O colega afirmou que entrou e desmaiou, e só retomou a consciência após ser resgatado e receber atendimento médico.
Trabalhadores passaram mal após entrar em caixa d'água que estava lacrada. — Foto: Reprodução
Versão do mestre de obras
À polícia, porém, o mestre de obras apresentou uma versão diferente. Segundo ele, Bruno e o outro trabalhador estavam encarregados de limpar uma laje na obra. A dupla também faria um serviço nas caixas-d'água subterrâneas, mas, conforme o relato dele, receberia orientação do técnico de segurança.
O mestre de obras alegou que os dois trabalhadores foram até uma das caixas, que estava lacrada, sem autorização. Pouco depois, ainda segundo o relato, o outro trabalhador voltou ao refeitório para avisar que Bruno estava passando mal.
Caixas lacradas
Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, o técnico de segurança do trabalho informou à polícia que as caixas-d’água haviam sido lacradas para evitar riscos de queda e também porque, por permanecerem fechadas, poderiam gerar gases - não especificados.
De acordo com ele, a abertura das estruturas deveria ser comunicada antes da realização de qualquer serviço no interior delas.
O que diz a empresa?
Em nota, a De.sign Construções e Incorporações SPE Ltda. lamentou a morte do trabalhador e informou que presta suporte às famílias dos envolvidos.
A empresa afirmou ainda que os outros dois trabalhadores que passaram mal receberam atendimento médico e que está colaborando com as autoridades durante a investigação.
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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de g1.globo.com.