'Me-de-as', do Equador, questiona a maternidade no Festival Mirada
Inspirado na tragédia de Medeia, o coletivo Mitómana, do Equador, abriu nesta quinta-feira (3) a oitava edição do Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas do Sesc São Paulo, na Baixada Santista.
Formado por mulheres, o grupo apresenta no espetáculo "Me-de-as" várias versões da mulher que mata os próprios filhos para se vingar da traição e do abandono do marido, Jasão.
O coletivo é dirigido pela escritora e pesquisadora Gabriela Ponce e reúne um elenco de várias áreas das humanidades. Juntas, as artistas criaram um espetáculo que busca dar outros significados ao mito, a partir da reflexão da precariedade dos vínculos familiares.
Com música, performances e um texto comovente, "Me-de-as" aborda a solidão materna, a ausência paterna, as despedidas, a morte e as possibilidades de reconstrução de mulheres imigrantes.
"O luto não se supera, mas a arte serve de laboratório para reimaginar relações e transgredir prescrições sociais", diz Ponce. "Atualizamos o clássico para confrontar os discursos patriarcais que atravessam os corpos e a maternidade."
A divisão silábica e o plural no título de "Me-de-as" é uma síntese das diversas vozes e corpos que levam ao palco histórias questionadoras do afeto maternal tradicional, em uma narrativa fragmentada, coletiva e em formato de coral.
Nesta edição, o festival, realizado até o dia 13 de setembro, homenageia o Equador e celebra os 80 anos do Sesc com 41 espetáculos de 15 países, além de ações formativas em Santos, Cubatão, Guarujá, Praia Grande e São Vicente.
Os temas abordados são os deslocamentos territoriais, a festa como rito e ato político, questões ambientais e a relação entre trabalho, ócio e tempo.
A mostra internacional terá a participação inédita da Guatemala e produções da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Espanha, México, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela.
Antes da abertura oficial, no teatro do Sesc Santos, o público pode assistir a duas apresentações ao ar livre, à tarde, na praça Mauá, no centro histórico da cidade. Em "Horário Comercial", o performer e marinheiro Péricles Anarckos, do Theatro Fúria, do Mato Grosso, amarra e desamarra nós em um cabo de atracação durante nove horas, sem interrupção, em uma metáfora sobre as rotinas do trabalho.
A outra atração foi a estreia de "...ao mesmo tempo…", com os grupos Lume,de Campinas, e Clowns de Shakespeare, do Rio Grande do Norte, sob a direção de Georgette Fadel. O espetáculo celebra as oito décadas do Sesc.
"Que o Mirada seja a celebração do nosso tempo", disse Luiz Galina, diretor regional do Sesc, na cerimônia de abertura do festival.
Danilo Miranda, diretor morto em outubro de 2023, foi homenageado pela Secretária de Cultura, Economia e Indústria Criativa do estado, Marília Marton. "A alma do Danilo continua viva em cada palco", ela afirmou.
A jornalista viajou a convite do Festival Mirada
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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de redir.folha.com.br.