AWS vê Redata destravar negócios e reforça aposta de longo prazo no Brasil
A aprovação do Redata pelo Senado — regime que isenta data centers de PIS/Pasep, Cofins e IPI na aquisição de equipamentos importados ou nacionais — deve mudar o tom das conversas comerciais da AWS com clientes no Brasil, segundo Paula Bellizia, VP da companhia para a América Latina, e Cleber Morais, diretor-geral no país. A sinalização foi dada em coletiva de imprensa durante o AWS Summit São Paulo, um dia após o Senado aprovar o PL 278/2026, que segue agora para sanção presidencial.
“Certamente vai destravar conversas. A avaliação não é perfeita, mas é uma boa notícia. Agora a gente vai precisar se debruçar sobre isso do ponto de vista de implementação”, afirmou Paula durante o evento.
Como contrapartida à isenção, o regime exige das empresas de infraestrutura o uso de energia limpa e renovável, eficiência hídrica no resfriamento, investimento equivalente a 2% do valor dos produtos adquiridos em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação e reserva de 10% da capacidade de processamento ao mercado interno.
Para Cleber, porém, a desoneração tributária resolve apenas parte da equação. Segundo ele, o diferencial está no ecossistema que se forma ao redor da infraestrutura. “Não se trata apenas de uma desoneração competitiva. O custo não vai fazer diferença para a AWS; o que vai fazer diferença é o ecossistema que se desenvolve”, disse o executivo. “Custo é básico, é uma necessidade básica, mas, a partir disso, há muito a construir.”
Ele chama esse movimento de “projeto país” — a ideia de que o incentivo tributário é a base sobre a qual ainda é preciso construir um ambiente que capacite startups e novos talentos em tecnologia, e não apenas reduza o Capex de novos data centers.
Investimento de longo prazo
A companhia já opera no Brasil há 15 anos e diz ter investido cerca de R$ 75 bilhões no país nesse período — o equivalente a aproximadamente R$ 14 milhões por dia. Em escala regional, Paula cita um investimento histórico de quase US$ 15 bilhões da AWS, somando Brasil, México e outros mercados da América Latina.
Fora do tema do Redata, Paula também comentou a pressão global por capacidade computacional. Segundo ela, o booking de fornecimento de GPUs e CPUs da AWS já está integralmente comprometido para 2027 e, em grande parte, também para 2028 — um dos fatores por trás do custo elevado de tokens de IA hoje. Ainda assim, a executiva avalia que a tendência é de normalização de preços à medida que a oferta se equilibra com a escala do mercado.
Assim como o restante do setor, a AWS também aguarda a regulamentação do ICMS, que responde por cerca de 64% da carga tributária sobre equipamentos de data center. A companhia mantém equipes de public policy e de tributação acompanhando as negociações do Confaz, que discute uma redução de até 90% do imposto estadual — decisão que depende de unanimidade entre os estados.
Para Cleber, no entanto, esses percalços regulatórios não mudam o horizonte de investimento da companhia no país. “Nós estamos no Brasil há 15 anos, estaremos nos próximos 15. Governos e taxações são cíclicos, enquanto a tecnologia evolui em ciclos mais curtos do que o político”, disse o executivo.
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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de startups.com.br.