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5 Minutos com: Cláudia Schulz, CEO da Abstartups

04 de September de 2026 5 leituras
5 Minutos com: Cláudia Schulz, CEO da Abstartups

Antes de assumir como CEO da Associação Brasileira de Startups (Abstartups), Cláudia Schulz já conhecia bem a organização — e de quase todos os ângulos. Entrou como gerente de projetos há quase quatro anos e meio, passou pelas diretorias de comunidade, projetos especiais e de operações, até chegar ao comando da entidade. Na bagagem, ela carrega também passagens pelos governos municipal, estadual e federal, incluindo o Ministério da Cultura e o Gabinete Digital do Rio Grande do Sul — um currículo que ela mesma descreve, entre risos, como “meio esquizofrênico”.

É justamente essa combinação de experiências, das artes cênicas à gestão pública, passando por operação e inovação, que Cláudia aponta como determinante para seu jeito de liderar a Abstartups. Formada em uma área distante do empreendedorismo, ela construiu uma carreira entre cultura, comunicação e inovação e hoje comanda uma equipe formada majoritariamente por mulheres, à frente de uma associação que tem como missão “transformar o Brasil no país das startups”.

Os últimos dois anos, segundo ela, foram marcados por um processo de reconstrução: reposicionar a marca da Abstartups no ecossistema, retomar relações com parceiros estratégicos e recolocar projetos novos e antigos no radar do mercado. O trabalho começa a dar frutos agora, com a retomada de iniciativas como o Startup ON, o relançamento da plataforma StartupBase e a construção de uma nova frente voltada à internacionalização das startups brasileiras.

Nesta edição do “5 Minutos com”, Cláudia fala sobre como suas experiências moldaram sua forma de liderar, os bastidores do reposicionamento da Abstartups, os planos para o ecossistema nos próximos anos e os desafios de exercer uma liderança feminina em um ambiente ainda dominado por homens.

Você atuou em diversas funções na Abstartups antes de ser CEO. O que essas experiências te ensinaram e como elas influenciam sua liderança hoje?

Entrei na associação como gerente de projetos há quase quatro anos e meio, para liderar um dos principais contratos da Abstartups, com forte impacto no ecossistema não só de São Paulo, mas de todo o Brasil. Depois, passei a diretora de comunidades e projetos especiais, diretora de operações e, por fim, cheguei à diretoria executiva.

Essa trajetória me deu uma visão holística da associação. Passei pela execução extremamente operacional de um dos maiores contratos que temos, além de atuar nas áreas de gente e gestão, jurídico e compliance. Hoje, isso me permite transitar por todas as áreas da associação, do menor detalhe à visão mais estratégica, o que ajuda muito na tomada de decisões e no dia a dia da gestão.

Quais foram os maiores desafios que você herdou ao assumir como CEO?

Os maiores desafios estiveram muito ligados ao reposicionamento da associação: reconstruir a presença da marca no ecossistema e retomar relacionamentos com parceiros estratégicos. Nos últimos dois anos, trabalhei, junto com toda a equipe, para reposicionar projetos novos e antigos da associação no mercado.

Foi um processo desafiador, porque envolveu reconstruir confiança e retomar a consistência das entregas. Esse trabalho começou a dar frutos este ano, com novos relacionamentos no ecossistema e novos projetos entrando. Foi um grande aprendizado entender os relacionamentos construídos no passado para, a partir deles, construir os do presente e do futuro.

Antes da Abstartups, você teve passagem pelo poder público. O que trouxe dessa experiência para hoje?

Passei pelos governos municipal, estadual e federal, sempre com uma linha de trabalho ligada à participação e à mobilização social. Nas secretarias, no Ministério da Cultura e no Gabinete de Cultura Digital do Rio Grande do Sul, meus projetos envolviam o desenvolvimento de plataformas, ferramentas e metodologias de mobilização, sempre com uma visão nacional e voltada à sociedade civil.

Trago essas experiências para a associação para ampliar a participação das startups e do ecossistema, criando ferramentas e chamadas públicas para contribuir com o desenvolvimento de políticas públicas. Um exemplo foi a revisão do Marco Legal das Startups, no ano passado, quando fizemos uma chamada pública para que o ecossistema pudesse colaborar. É uma lógica de mobilização e participação social: abrir espaço, ouvir e trazer as startups para participar e construir junto.

Também trabalhei no desenvolvimento e na implementação de políticas e ferramentas públicas. O Gov.br, por exemplo, teve entre suas inspirações o Login Cidadão, projeto que desenvolvemos no Gabinete Digital do Rio Grande do Sul a partir de referências da Estônia. Depois, levamos essa tecnologia para o Ministério da Cultura, onde ela avançou e se desdobrou no que hoje é o Gov.br. Trazer essa experiência com ferramentas e tecnologia para dentro da associação também foi importante.

O que mudou no ecossistema brasileiro de startups desde que você entrou na Abstartups?

O Brasil é extremamente diverso e, dentro dessa diversidade, há muita potência. Na associação, olhamos bastante para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste — sem deixar de lado o Sudeste e o Sul, que já têm estruturas mais robustas e maior grau de maturidade. Temos concentrado ações nessas regiões e percebido uma evolução real desses ecossistemas.

De forma geral, o Brasil está muito mais maduro como ecossistema hoje. Ainda temos desafios ligados a investimento, mais fundos e mais editais para as startups. O recurso é sempre pequeno perto da dimensão continental do país. Mas vejo empreendedores extremamente resilientes, criativos e inovadores, porque a necessidade de cada território é a dor que faz essas soluções acontecerem. O empreendedor brasileiro faz muito com pouco. O desafio segue sendo trazer um olhar cada vez maior de investimento, em diferentes formatos, para que o ecossistema cresça em toda a sua diversidade de setores.

O que a Abstartups tem feito para fortalecer os ecossistemas de startups fora dos grandes centros?

Temos algumas frentes de atuação. Uma delas é o Pacto da Inovação, uma articulação estadual com agentes e instituições do ecossistema para construir um manifesto e um plano de trabalho voltados à criação de novas startups, alinhados à missão da associação de transformar o Brasil no país das startups.

Também retomamos este ano o Startup ON, evento de ativação que já teve oito edições. Fizemos quatro nas últimas semanas, no Ceará, em cidades do interior, porque nosso objetivo é regionalizar e interiorizar o conhecimento sobre startups. Já passamos pelo Centro-Oeste e pelo Nordeste e temos edições previstas para a Região Norte.

Recentemente, relançamos o StartupBase, uma plataforma pública para mapeamento das startups a nível nacional. É um projeto antigo da associação que estava parado e que retomamos este ano, com novos parceiros e mantenedores. A plataforma funciona como uma vitrine: enquanto iniciativas como o Startup ON fortalecem os ecossistemas locais, o StartupBase dá visibilidade a essas startups para o Brasil e o mundo.

Para onde você acha que as startups brasileiras precisam caminhar nos próximos anos e quais são as prioridades da Abstartups nesse cenário?

Uma das prioridades é a internacionalização das startups. Já demos o pontapé inicial este ano e estamos finalizando um curso de internacionalização, construído com parceiros do ecossistema. Para o ano que vem, a ideia é ampliar ainda mais as oportunidades nessa frente.

Também precisamos continuar olhando para o matchmaking entre startups e investidores. Há muitas empresas operando em modelo bootstrapping ou buscando outras formas de sustentabilidade, mas não podemos deixar de fortalecer o acesso a capital, trazendo novos investidores para perto da associação.

E, claro, temos a frente de comunidades, que é perene na associação. Seguimos trabalhando para fortalecer as comunidades de startups existentes e contribuir para o desenvolvimento de novas.

Como tem sido liderar como mulher no ecossistema de startups e como sua trajetória influencia sua atuação em prol da diversidade?

Como para todas nós, mulheres, é sempre desafiador ser uma liderança à frente de uma instituição. Costumo dizer que aqui não tem refresco: é preciso manter a atenção e a altivez o tempo todo, porque ainda estamos em um ambiente muito dominado por homens. Se colocar à mesa e estar sempre presente, com atenção focada, faz com que nossa energia esteja sempre mais canalizada — tanto no ambiente interno quanto no externo — do que a de um homem, muitas vezes.

Por outro lado, hoje o time da associação é composto por mais de 70% de mulheres. Em toda a minha trajetória profissional, sempre busquei construir esse lugar de ter mulheres em campos de decisão e de desenvolvimento. É um processo, uma vai puxando a outra, ajudando a outra, e isso é fundamental para construirmos novas lideranças.

A diversidade precisa ser ponto zero, não ponto um — ela é estruturante. Precisamos criar espaços para que mulheres e outras pessoas diversas estejam presentes, se apropriando e se sentindo confortáveis ali. Isso ainda é desafiador dentro do ecossistema de inovação: por mais que ele tenha evoluído, seguimos com os mesmos preconceitos e obstáculos, mesmo tendo hoje muito mais conteúdo, acesso à informação e debate sobre gênero e diversidade. Às vezes, é preciso criar alguns constrangimentos para dar passos à frente.

Essa trajetória também me fez refletir muito sobre o meu currículo, porque ele parece um pouco esquizofrênico [risos]. Fui percebendo o quanto minha formação, inclusive acadêmica, contribuiu para que eu me desenvolvesse como uma liderança com diferentes visões, somando soft skills que eu não teria se não tivesse passado por esses lugares. A gente fala muito de comunicação, gestão de pessoas, olhar humano e capacidade de entender contextos. Eu venho das artes cênicas, que, para mim, sempre foram uma forma de criar imaginários.

Quando olho para a associação, vejo que ainda temos muito a fazer, mas também a possibilidade de criar coisas dentro desse ecossistema e mostrar cada vez mais ao mundo a potência dos empreendedores e das startups brasileiras. Com o tempo, tudo isso foi fazendo sentido: minha trajetória mostrou que eu estava no lugar certo, reunindo essa diversidade de habilidades.

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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de startups.com.br.

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